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Archive for the ‘Mathias’ Category

Depois do último texto falando sobre as principais modalidade cirúrgicas e suas indicações, agora vamos falar um pouco da obesidade e do diabetes. Mas por quê? Existe relação entre essas duas doenças tão comuns? E o que elas tem com esse blog que fala de beleza e cuidados com a pele?

Ora, tanto a obesidade quanto o diabetes afetam de forma notável a pele, não é mesmo Renata? Pessoas obesas podem manifestar mais aquelas “adoráveis” cicatrizes na derme, características pelo estiramento excessivo, ou seja, nossas “estrias”, além disso, quem não reclama da “celulite” no bumbum? Já nos pacientes diabéticos, é conhecido que lesões cutâneas como vitiligo, psoríase e eczema, sem contar as infecções de pele são mais comuns nesses doentes.

Acne, pele oleosa, aumento dos pêlos e da sua espessura podem ocorrer na síndrome dos ovários policístico, como disse o Rafael em um dos seus textos. Essas duas doenças tem TUDO a ver com BELEZA e SAÚDE!

Dessa vez vou tentar ser mais tranqüilo nas explicações, apesar do assunto ser tão complexo quanto o anterior. Vejam, a obesidade leva ao aumento do tecido adiposo (mesmo dentro da barriga, a gordura visceral), esse, por sua vez é responsável por provocar um tal de aumento da “resistência periférica à insulina”. O aumento da resistência à insulina nada mais é que a dificuldade dos tecidos responderem à quantidade de insulina que normalmente há na circulação. Então, o pâncreas, quem fabrica a insulina, tem que se esforçar mais para aumentar a produção de insulina, mas aumenta a resistência e mais insulina tem que ser fabricada, até que o órgão entra em falência, sendo necessário receber insulina por injeções.

Bem, se o início do problema está no excesso de tecido adiposo visceral, nada mais lógico que agir sobre ele para que haja melhora do diabetes! Mas isso não é tão fácil, não é mesmo? Perder aquela barriguinha, sem que haja muito esforço, disciplina e força de vontade, torna-se uma missão praticamente impossível, como já dissemos antes.

Mas e aqueles paciente que já tentaram de tudo, são extremamente determinados, disciplinados, fazem dieta e no mínimo 30 minutos de exercícios físico aeróbicos e musculação todos os dias e mesmo assim não perder peso, além disso vêem sua saúde ser consumida pelo diabetes?

Em casos com indicações precisas a cirurgia anti-obesidade pode, em muito beneficiar esses paciente. Mesmo que tenham IMC um pouco menor e não cheguem a ser obesos mórbidos, pessoas com complicações por diabetes podem ser operadas. Muito se tem discutido e estudado sobre uma nova modalidade de cirurgia, a cirurgia metabólica, a qual visaria à cura do diabetes. São cirurgias de caráter experimental, porém, o Brasil ocupa posição de destaque com grupos em São Paulo, Goiânia e Campinas.

Mas não vamos perder o foco, a cirurgia bariátrica é capaz de melhorar muito a evolução do diabetes, podendo até mesmo alcançar a cura. Lembrem-se, como foi dito no texto anterior, que a parte final do intestino delgado (íleo) é responsável por produzir substâncias que estimulam à produção de insulina pelo pâncreas (as incretinas), então, se o alimento chega mais rápido nessa porção do intestino (já que o estômago está menor e é esvaziado mais rapidamente), as incretinas serão produzidas mais rapidamente e poderão agir, aumentando os níveis de insulina.

Ao mesmo tempo, a perda de gordura corpórea provocada pela cirurgia ajuda a reduzir aquela resistência à insulina. Então haverá mais insulina e menos resistência à sua ação? Pois é! E isso é justamente o que o tratamento com medicamentos tenta fazer. Com a cirurgia, conseguiu-se tratar o diabetes.

Menos complicações dermatológicas, cardiológicas, renais, oftalmológicas, etc, beneficiarão o paciente.
Agora fica a pergunta, será que o paciente está preparado psicologicamente para isso tudo? Para as alterações que seu corpo enfrentará? Esse é o assunto do próximo capítulo.

Roger Mathias

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Retomando a nossa série sobre a cirurgia para obesidade, hoje o Roger Mathias vai falar de como são feitas as cirurgias, quais as diferenças entre as técnicas restritivas e dissabsortivas, ou seja, o que efetivamente o cirurgião faz no corpo da pessoa que passa por essa cirurgia. No próximo capítulo ele vai falar de como essas operações além de combaterem a obesidade também melhoram a pressão arterial e a diabetes, melhorando a saúde do obeso de maneira global.

Se você tem indicação para essas cirurgias, conhece alguém que fez ou vai fazer, ou é só curiosa mesmo. Aproveite esse espaço para tirar as suas dúvidas! Entra lá embaixo nos comentários e abra o seu coração!

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Vista por muitos como uma forma preguiçosa de dar vazão à vaidade, a cirurgia tem revelado efeitos importantes além do emagrecimento, como curar o diabetes tipo 2 e reduzir a propensão ao câncer.

Como foi dito no texto anterior, a cirurgia bariátrica é a opção de tratamento mais eficaz para obesos mórbido, quando houve falha das terapias não cirúrgicas. Recomenda-se operar pessoas com IMC (peso emkilos dividido pela altura em metros ao quadrado) maior que 40 ou pessoas com IMC entre 35 e 40 que apresentem complicações como apnéia do sono, hipertensão arterial, diabetes.

É fundamental que o paciente participe de grupos de orientação pré-operatória, onde receberá apoio nutricional, psicológico, endocrinológico e físico. Assim, o paciente se compromete a perder peso antes da cirurgia. Estudos demonstram que os paciente que passaram por esse processo tem menos chance engordar novamente e apresentam menos complicações no pós-operatório.

Falaremos agora das variadas técnicas de “redução” de estômago. Tentarei fazer de um modo simplificado, de forma que facilite o entendimento. Cabe salientar que não há o intuído de esgotar ou aprofundar em demasia o assunto e a visita ao especialista é indispensável.

A abaixo ilustra a anatomia normal do aparelho digestivo humano. O alimento chega ao estômago pelo esôfago que segue, após um período, para a primeira porção do intestino delgado, o duodeno, a segunda e terceira porções são respectivamente o jejuno e o íleo. O bolo alimentar dirige-se então para o intestino grosso, onde serão formadas as fezes. É nessa trajetória que os alimentos sofrem digestão e os nutrientes são absorvidos. Quanto maior for esse seguimento, maior a absorção.

Outra coisa importante é que o estômago produz hormônio ligado à estimulação da fome (grelina) e o íleo (porção final do intestino delgado) produz hormônios que diminuem o apetite e estimulam a secreção de insulina (hormônio responsável por levar o açúcar do sangue para as células, diminuindo sua concentração no sangue).

Veja em verde o caminho normal do alimento no nosso corpo, em azul onde são produzido alguns hormônios

Veja em verde o caminho normal do alimento no nosso corpo, em azul onde são produzido alguns hormônios

As cirurgia do tipo RESTRITIVAS, restringem a acomodação gástrica, por redução do estômago, com isso, o paciente tem saciedade precoce com os alimentos SÓLIDOS (mas não com alimentos líquidos, hipercalóricos, como leite-condensado…é brincadeira?).

A banda gástrica ajustável, veja na figura abaixo é um método restritivo puro, realizado por videolaparoscopia (cirurgia minimamente invasiva), no qual se coloca um anel de silicone na porção superior do estômago. Este anel é ligado a um dispositivo que fica implantado no subcutâneo (gordura da barriga) que pode ser facilmente acessado por uma agulha, por onde se injeta soro, ajustando o nível de constricção.

Em uma mulher que fique grávida, a constricção pode ser menor, permitindo à mãe comer e o bebê se desenvolver normalmente. A desvantagem, já comentada, é que o paciente pode voltar a engordar, ingerindo líquidos calóricos. Esse risco aumenta se o paciente não tiver orientações prévia pré-operatórias e acompanhamento rigoroso pós-operatório.

O desenho mostra a Banda Gástrica, uma das cirurgias de efeito restritivo.

O desenho mostra a Banda Gástrica, uma das cirurgias de efeito restritivo.

As cirurgias DISABSORTIVAS promovem um desvio do trânsito intestinal, que leva a uma diminuição da absorção dos nutrientes ingeridos. Causa perda rápida e duradoura do peso, porém pode levar o paciente à desnutrição e a carência de nutrientes essenciais, como vitaminas, demandando reposição com complexos vitamínicos.

As cirurgias MISTAS apresentam maior eficácia na perda de peso, por apresentarem ambos os elementos (restritivo e disabsortivo), porém exigem do paciente disciplina e readequação do seu estilo de vida.

Pequenas e numerosas refeições diárias, bem mastigadas, deverão ser instituídas, reposição vitamínica e acompanhamento multi-profissional. A cirurgia mais realizada dessa modalidade e com resultados comprovados por anos de experiência é a gastroenteroanastomose em Y-de-Roux (acalmem-se, não estou xingando ninguém) ou cirurgia de Fobi-Capella da uma olhada na figura abaixo que você vai ver que é menos complicado do que o nome sugere.

Nela o cirurgião separa o estômago em dois, a parte bem menor com cerca de 5% do volume total, mantém a função de receber o alimento. A porção maior permanece no abdômen mas só para produzir o suco gástrico que encontrará o bolo alimentar mais adiante no intestino – que fica um pouco mais curto. Ainda um anel de silicone pode ser colocado, limitando o fluxo de alimento no estômago reduzido.

O paciente que não adote as mudanças citadas sofre, pois vômitos são freqüentes. Além disso, pode acontecer queda de cabelo por deficiência protéica, aumenta o risco de pedras na vesícula e dificulta o diagnóstico de um eventual câncer no estômago, já que a parte que foi isolada não pode mais ser vista por endoscopia.

Esquema da cirurgia de Fobi-Capella umas das mais realizadas contra obesidade.

Esquema da cirurgia de Fobi-Capella umas das mais realizadas contra obesidade.

Há ainda numerosas outras técnicas de cirurgia anti-obesidade, sendo que o Brasil ocupa posição de destaque tanto na parte científica quanto na criação de novas técnicas. Cabe, porém citarmos uma última possibilidade que vem ganhando espaço rapidamente. Chama-se “sleeve” gástrico ou gastrectomia vertical abaixo.

A perda de peso se dá unicamente por restrição à quantidade de alimento ingerido, sem que haja desvio intestinal do transito ou má-absorção. O procedimento consiste em redução do estômago, pode ser por vídeo cirurgia, em 85% do seu volume, diferentemente dos 95% na cirurgia de Capella, diminuindo assim os sintomas de vômitos. O estômago fica em forma de “banana”, preservando o piloro (vávula que permite a passagem gradual do estômago para o intestino). Assim, o estômago funciona normalmente, apesar da redução de volume, podendo o paciente alimentar-se com quase todos os tipos de alimentos, porém em pequenas quantidades. Aqui, a porção estomacal que produz a grelina (hormônio ligado à fome) é eliminada.

Por não haver desvio de transito, anemia, osteoporose, deficiência protéica e vitamínica são praticamente eliminadas. A critica é que por não haver associado um componente mal-absortivo, o paciente tem mais chance de voltar a engordar mais tarde. Por isso, estudos de seguimento de longo prazo estão sendo realizados.

Esquema da cirurgia de "sleeve" gástrico

Esquema da cirurgia de sleeve gástrico.

A escolha da técnica cirúrgica deve ser tomada em conjunto com o paciente, levando-se em conta o estilo de vida e suas particularidades. Os benéficos que a cirurgia traz no combate ao diabetes, à hipertensão e à diminuição do risco de câncer, assim como suas implicações psicológicas e a reconstrução da estética corporal pela cirurgia plástica nos ex-obesos.

Por Roger Mathias.

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Qual a origem dos nossos “quilinhos” a mais? Há milhões de anos, ainda quando o homem não dominava as técnicas de cultivo de sementes e de criação de rebanhos, tempos em que alimentar-se era uma questão de sorte, ter “uma genética” que fizesse o organismo estocar o máximo possível de energia era uma vantagem, pois não era possível saber quando haveria outra refeição. Portanto, nossos ancestrais ingeriam o máximo possível de comida, a mais calórica encontrada, que lhes permitissem passar longos períodos sem se alimentar novamente.

Essa característica perdurou de geração em geração, permitindo a sobrevivência da raça humana a tempos de escassez. Só recentemente, e isso é, muito recentemente, com o domínio de técnicas de engenharia genética, produzindo plantas mais resistentes a pragas e a climas hostis, com melhoria das máquinas e insumos, conseguimos aumentar nossas áreas plantáveis, nossos rebanhos cresceram, e teoricamente, há comida para todos (há há há … apenas uma piada…).

Diante da fartura de alimentos, sendo muitos deles excessivamente calóricos e desnecessários para nossas demandas, aquela característica que outrora fora benéfica, hoje, ela pode acarretar complicações à saúde. Entre elas a obesidade mórbida e as doenças que com ela caminham juntas (hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia, doença cardiovascular, incluindo infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, síndrome da apnéia do sono, osteoartrose dos membros inferiores, entre outras).

Por isso, a obesidade é tratada como um problema de saúde pública, sendo que no Brasil, sete por cento dos homens e (pasme!) 12% das mulheres são considerados obesos. Nos EUA a situação é ainda pior, 30% da população é obesa (“Santo McDonald’s”), verificando-se vários fatores causais: sedentarismo, genética, facilidade em obter alimentos calóricos, alimentação rica em carboidratos e lipídios, etc.

Não poderíamos deixar de falar, é claro, nas conseqüências para a auto-imagem e para a beleza, tanto de homens, quanto de mulheres. Nesse mundo em que o “magro” de Gisele Bündchen, Kate Moss e Heidi Klum, é cultuado pela maioria, diferentemente do Renascimento, quem foge a esse padrão, é tido como “gordo”, “feio”, “descuidado”, “guloso” e “preguiçoso”. Sérias implicações sociais, como estigmas, psicológicas, como depressão, baixa auto-estima, vergonha e raiva do próprio corpo, até mesmo ideações suicidas, podem ser notados com freqüência. Na medicina, já está bem estabelecido que a obesidade não tem nada relacionado com “gula” ou “preguiça”, mas sim à distúrbios hormonais (que será comentado em outra oportunidade), herança genética e influência do meio-ambiente, ou seja, é uma doença multifatorial.

Muitos obesos mórbidos não respondem ao tratamento convencional e ás medidas de prevenção, como por exemplo, adoção de práticas esportivas cotidianas, melhorias na alimentação, mudanças de hábitos de vida, acompanhamento nutricional, psiquiátrico e endocrinológico. Isso porque, além das alterações hormonais, pode-se encontrar alterações anatômicas, sendo que estudos em cadáveres e em pessoas vivas obesas, encontrou-se intestino delgado (órgão responsável por parte da digestão e pela absorção dos nutrientes) de maior comprimento, quando comparados a indivíduos não obesos, apesar de haver poucas publicações ciéntíficas consistentes nesta última assertiva.

Para esses casos, a cirurgia bariátrica (cirurgia antiobesidade) vem ganhando cada dia mais espaço. Além de ser o único método comprovado que resulta em perda de peso duradoura (evita o efeito SANFONA), é também o único campo, em que com apenas uma operação várias outras doenças podem ser solucionadas ou minoradas, como é o caso da hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 (será abordada em outra oportunidade), incontinência urinária, dislipidemia, esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), artites, apnéia do sono, etc. Somando-se à isso, a rápida recuperação pós-operatória ditada pelas técnicas pouco invasivas (videolaparoscopia – melhor explicadas em artigo posteriore) e a melhora na qualidade de vida, do bem estar com o próprio corpo e ganho de nova auto-estima dos pacientes, fez com que esses procedimentos conhecessem um “boom” no últimos 10 anos.

A cirurgia bariátrica pode ser dividida em “mal absortiva” e “restritiva”. A primeira leva à diminuição da absorção das calorias e de todos os outros nutrientes. Em contraste, a segunda causa acarreta diminuição da ingesta de alimentos por promover sensação de saciedade precocemente. Há ainda, tipos de cirurgia que mesclam as duas técnicas.

Mas nem tudo são flores! Não são todos os “gordinhos” que podem ser submetidos à esse tipo de intervenção. Há indicações, e essas devem ser respeitadas, como o IMC (índice de massa corpórea), acompanhamento psicológico, nutricional e físico pré e pós operatório. Além disso, como todo métodos cirúrgico, esses não são isentos de risco e complicações. Mas isso vai ficar para uma próxima vez.

(os quadros que ilustram o post são de Fernando Botero, os desenhos são do filme Wall.e, um desenho animado imperdível que mostra de uma maneira inteligentíssima e bem humorada o quem tem levado o mundo a engordar cada vez mais).

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